Em trabalho voluntário, fotógrafos parceiros do IMG retratam atletas com deficiência apoiados pelo Projeto Próximo Passo.

17 de maio de 2017 | 20:25

fotos

Conversamos com Cesar Cury e João Mantovani, fotógrafos voluntários que realizaram um ensaio que inspira superação, movimento e beleza com a equipe de natação dos atletas do Projeto Próximo Passo, ação do Instituto Mara Gabrilli. As fotos foram realizadas em estúdio e também no local de treino dos atletas, na Academia BodyTech, em São Paulo.

O Projeto Próximo Passo tem como proposta estimular atletas esportivos de alto rendimento e oferecer estrutura e suporte técnico para os treinamentos. Para conseguir viabilizar esse projeto, é necessário o apoio de pessoas que acreditam que o esporte é um forte instrumento inclusivo.

A equipe esportiva do Instituto já conquistou diversas medalhas com participação em importantes campeonatos nacionais e internacionais, além de contribuir com a participação de atletas na Seleção Brasileira. O projeto conta hoje com 20 atletas, das modalidades de natação, paraciclismo, triathlon, jiu jitsu, tiro e corrida de rua.

Confira o bate papo abaixo e as fotos incríveis acessando o nosso Flickr: www.flickr.com/institutomaragabrilli

Instituto Mara Gabrilli: Quando surgiu seu interesse pela fotografia?

Cesar Cury:
Acho que sempre gostei muito de fotografia, tenho várias fotos minhas na infância com máquina fotográfica na mão, mas foi aos 15 para 16 anos que fiz meu primeiro curso de fotografia no Museu Lasar Segal. Logo depois já comprei equipamento e lá estava eu fotografando. Depois acabei fazendo outros três ou quatro cursos de fotografia (de laboratório, laboratório cor, linguagem fotográfica em arte e fotografia no jornalismo). Estes cursos foram a minha base para conhecer a fotografia e em 1984, já cursando o penúltimo ano de Arquitetura, eu entrei pela primeira vez em um estúdio de fotografia. Descobri que era aquilo que eu queria!

Arrumei um estágio em um estúdio com o fotógrafo Antonio Di Ciommo, onde fiquei um ano, depois outro estágio no estúdio de fotografia da Agência de Publicidade DPZ, onde fiquei mais seis anos. Acabei a faculdade e fui contratado na DPZ como assistente de fotógrafo, depois fui ser assistente no estúdio do fotógrafo Du Ribeiro, que tem um trabalho puramente publicitário. Lá fiquei mais seis anos. Finalmente, em 1992, montei meu estúdio.

João Mantovani: Aos 21 anos fui trabalhar como vendedor em uma loja de fotografias no bairro dos Jardins em São Paulo. Cheguei ao cargo de gerente e além da loja lá também eram ministrados cursos de fotografia, pois havia estúdio e laboratório fotográfico para fotos preto e branco. Foi onde fiz meu primeiro curso de fotografia.

A Companhia de Dança Ballet Stagium era vizinha da loja e também nossos clientes. Acabei me oferecendo para fotografar um espetáculo deles que estava em cartaz e comercializei as fotos com os bailarinos e com a companhia. Fiz isso algumas vezes, fui pegando gosto pelas fotos de dança e em seguida shows e teatro.

Na loja também outros clientes perguntavam se realizávamos coberturas fotográficas de aniversários e lá fui eu para outra área da fotografia, os eventos sociais. Foi muito interessante iniciar nessas duas áreas, pois eram completamente opostas. Tive a oportunidade de aprender técnicas diferentes, pois nas festas eu utilizava flash e nas fotos de palco o flash era totalmente proibido. Foi assim, por essas portas, que acabei entrando no maravilhoso mundo da Fotografia.

 

Instituto Mara Gabrilli: E a ideia de fotografar os atletas do Instituto, como aconteceu o convite?

Cesar Cury: Faço parte de um grupo no Facebook que se chama Dots, onde vi a mensagem da Daniela Magen, que precisava de fotógrafos voluntários para o Instituto da Mara Gabrilli. Não pensei duas vezes, já me candidatei.

João Mantovani: Foi através da Daniela Magen, que é minha amiga e gestora do Instituto. Quando ela me perguntou se eu gostaria de participar, disse na hora que poderia contar comigo.

 

Instituto Mara Gabrilli: Você já havia fotografado pessoas com deficiência? Como foi a experiência de fotografar os atletas de natação do IMG?

Cesar Cury: Já tinha fotografado algumas pessoas com deficiência, mas não atletas. Adorei conhecer todos e aprender com eles a ultrapassar as limitações que temos na vida, principalmente as físicas.

João Mantovani: Sim, já havia fotografado uma equipe de vôlei sentado. Fotografar os atletas do Instituto foi muito interessante, pois eles demostram muita força de vontade e alegria em viver e praticar esportes de alto nível. Muitas vezes eu ficava arrepiado de emoção em estar tendo a oportunidade de fotografar essas pessoas maravilhosas.

 

Instituto Mara Gabrilli: O que deseja passar para as pessoas com este ensaio?

Cesar Cury: Quero mostrar os atletas paralímpicos como vencedores, tanto dos limites impostos por sua modalidade, como também de qualquer barreira no caminho. Quero vê-los retratados com “posturas” de heróis nas imagens.

João Mantovani: Desejo mostrar que as pessoas mesmo com níveis de dificuldade variados, não param no tempo e seguem em frente buscando as melhores condições para viver bem e com qualidade. E que por vezes, as pessoas sem deficiência ficam paradas reclamando e esperando as coisas acontecerem. Através deste ensaio espero poder ajudar pessoas com ou sem deficiência a lutar para conquistar seus sonhos mesmo com os obstáculos que possam surgir.

 

Instituto Mara Gabrilli: A fundadora do Instituto, Mara Gabrilli, que é tetraplégica, posou nua para um ensaio sensual. Isso tem cerca de 15 anos e desde então não sabemos se houve no mundo algum outro ensaio do tipo. Acredita que há certa resistência em fotografar pessoas com deficiência em alguns tipos de ensaio?

Cesar Cury: Já vi alguns ensaios sensuais fotográficos com pessoas com deficiência. Na véspera da ultima Paralimpíada, que aconteceu no Rio de Janeiro, vi um ensaio sensual com os atletas do Canadá ou da Dinamarca – não me recordo… mas eram fotos sempre mostrando um lado muito mais “heróico” do que sensual.

João Mantovani: Não penso que exista resistência, talvez o que falte é a oportunidade, disponibilidade ou convite de ambas as partes, até porque, pensando por mim, adoraria fazer essas fotos, pois estou sempre disposto a fotografar pessoas com deficiência.

 

Instituto Mara Gabrilli: O que mais te atrai em registrar pelas lentes?

Cesar Cury: É muito difícil responder esta pergunta, pois eu já fotografei tanta coisa, mas o que gosto mesmo são os desafios do momento antes da foto… aquele sentimento do “será que vai dar certo?”. Enfim, eu gosto do que faço!

João Mantovani: O que mais me atrai na fotografia é a oportunidade de deixar registrado através de minha visão e interpretação momentos que ficarão para sempre, por séculos talvez… É uma forma de pessoas que não viveram ou não conheceram determinadas situações, lugares ou pessoas reconhecer isso através de minhas imagens. Isso já acontece nos meus quase 30 anos de fotografia, imagino então daqui a 100 ou 200 anos.

 

Instituto Mara Gabrilli: O que é uma foto boa?

Cesar Cury: Foto boa? É a foto “que deu certo”!

João Mantovani: Uma boa foto para mim, além da parte técnica como luz, enquadramento, momento do click, é presenciar a reação das pessoas ao ver determinada foto. Ver alguém emocionado, admirando uma foto é gratificante. O importante é que as pessoas gostem de sua foto. Isso para mim é foto uma boa.

 

Para conhecer mais sobre o trabalho de Cesar Cury e João Mantovani, acesse:

https://www.facebook.com/cesarcuryfotografia

https://www.facebook.com/joaopaulomantovani65

 

 

 

 

 

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